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  • May

    12

    Até sempre Maestro

    23:52 • Tags: , , ,

    Quando cheguei a Portugal em 1991 sabia pouco de futebol. Uma das primeiras imagens que vi e que marcou foi a de um jovem que perante um estádio a vir abaixo fez de Portugal campeão do mundo com a marcação de uma grande penalidade. O texto que se segue pode ser lamechas… mas é de adepto, de admirador.

    Numa altura em que a generalidade do futebol português me desilude fico órfão da minha referência maior. Sei que nos últimos anos tivemos vários marcos. O Figo ganhou a bola de ouro, o Cristiano deslumbra e irá com toda a certeza ganhá-la mas ele, apesar de não ter recebido, é o maior. O maestro é o meu jogador de eleição.

    Foi um pouco ingrato ter acabado a carreira com a jogar em equipas medíocres do clube que nunca deixou de amar. Espalhou classe pelos relvados muitas vezes sem se sentir a sua presença, a sua ausência, pelo contrário, sim era de uma notoriedade óbvia. Ainda teve de chegar ao Milan numa transferência tantas vezes adiada que a sua passagem soube a consagração.

    Fui crucificado em 2004 por uma imprensa portuguesa embrigada nos aromas de um Deco vencedor da liga dos campeões que nem sempre dá muita coisa a selecção. Foi um suplente sóbrio e talvez tenha deixado a selecção cedo demais em consequência de tantas críticas. Mas a vida dos génios é assim mesmo, cruel por vezes e em função da forma como os admiradores não compreendem uma fase menos positiva.

    Confesso nunca o deixei de querer na equipa. A idade não perdoava e ele corria menos… mas apesar de tudo jogava mais. E saltei, saltei tanto com aquela bomba à Inglaterra no prolongamento porque a equipa merecia, o Rui merecia e o Rui deu tudo à nação.

    Ontem o maestro despediu-se dos relvados e eu sinto aquele travo amargo do adepto que fica órfão.  Obrigado pelo jogo inteligente, pelas lágrimas, o empenho e a dedicação ao futebol, à selecção e ao benfica. Obrigado por tudo Rui. O futebol perde uma batuta inesquecível.

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