Apr
12
Desabafo tecno-surrealista…
14:27 • Tags: desabafos, Sensações, tecnologia, Textos | Comente
Neste momento apetecia-me encarnar aquela postura da taberna dos antigos westerns. Tenho imensa pena que o compilador não seja um tipo feito e mal-cheiroso que se possa convidar para andar ao tabefe na estrada poeirenta de uma qualquer vila no oeste.
Esta pequena parcela de código é feia. Hoje até lhe sinto o cheiro e, quanto aos tabefes, confesso que a vontade de lhe dar uns quantos é mais que muita.
Apr
7
Textos: “gostar de…”
20:40 • Tags: amor, Desejos, gostar, metro, Sensações, sentimentos, Textos | Comente
Hoje é um daqueles dias em que estou tão cansado, mas tão cansado, que até as movimentações no teclado são conscientes. Daí estar apenas e só a arrumar as minhas prateleiras digitais. No meio dessas arrumações encontrei este texto do Fernando Alvim no jornal Metro a 13 de Dezembro de 2007.
Fica no arquivo pois na altura - como hoje quando o reli - gostei.

Mar
28
Inquietações
21:41 • Tags: introspecções, Sensações, Textos | Comente
Sinto no ar qualquer coisa que a que não fico indiferente. O sonho tem estado agitado e confuso, o olhar perde-se em pensamentos que procuram perceber o que rodeia. Talvez seja esse o meu calcanhar de Aquiles… talvez essa força directriz que impele a tudo perceber seja uma fraqueza. E a dúvida estabelece-se. Queria paz.
Tantas inquietações…
Leia mais
Nov
19
Ontem fui buscar os meus cachecóis ao final da tarde. Ah, gosto tanto deles. Não consigo explicar, gosto e pronto. A chuva chegou depois de um aviso prévio com frio. Foi rápido e repentino. Oooh… tenho saudades do Outono.
Parece que temos que nos habituar com o tempo que deixamos de ter determinadas coisas. Por vezes é tudo muito estranho. Portugal está tão estranho. As notícias chegam-nos de formas e feitios que mais parecem contos inacreditáveis ou obras primas da ficção científica. A frustração é grande.
As pessoas… ai as pessoas. Parecem cada vez mais tontas sem saber onde estão, o que querem o quem está à sua volta. Tão confuso. E nessa confusão baixo o olhar e tento convencer-me que por mais que goste daqui terei que sair para passar alguns tempos melhor. Ai as pessoas, quem as entende? Ai este mundo…. tenho saudades do Outono.
As palavras temem e não saem. Ficam entravadas sem construir parágrafos. Confessam não estar prontas como as pessoas também não estão. As palavras, as pessoas as estações. Umas estão mudas, outras tontas e as últimas baralhadas.
Preciso das palavras, não encontro as pessoas… tenho saudades do Outono.
Nov
8
Tenho pensado tanto em ti. Tanto.
Lembro-me de todas aquelas tardes que passamos na varanda vendo o mundo a girar. Apreciávamos os movimentos das pessoas enquanto eu dispara perguntas que nunca deixaste sem resposta. Estavas lá. Sempre. E enquanto estiveste presente fizeste sempre questão de me demonstrar que estar lá é importante. Estar lá é fundamental. “Se não sabemos hoje, saberemos amanhã. Não baixaremos os braços.”
Invade-me uma saudade carinhosa quando as memórias recaem sobre as horas que debruçamos a modelar plasticina. E lá estávamos, eu e tu, na verdadeira diversão entre dois seres separados por mais de seis décadas. E tu sempre atento. Sempre pronto a explicar-me quais os pormenores que o palito devia trabalhar na plasticina para os modelos serem mais realistas. Procurávamos a perfeição. Procurávamos fazer bem.
Não te deixo ficar mal, descansa. Eu continuo a procurar fazer bem ainda hoje.
E dos saltos no sofá, lembras-te? Quantos serões passamos ali a construir mundos que nunca mais terminavam, odisseias infantis erguidas com blocos de legos a que demos tantas formas diferentes. Sonhamos tanto juntos. E o nosso castelo? Ah o castelo. Sabes, tenho planos para ele, tudo pensado já, vai ficar espectacular. Será uma homenagem aos três dias que me ofereceste a montá-lo na mesa da tua sala. Ai aquela mesa. Quantas tortillas partilhamos lá? Pois, também não sei. Só sei que estavam sempre óptimas.
E a praça, atrás das pombas, sempre a correr durante os nossos passeios. Tomavas conta de mim enquanto iámos na rua, sentia-me protegido. E claro, fazias questão de me levar às origens (na altura eu não sabia que era disso que se tratava). E lá estávamos nós, na rua que levava até à Farmácia Ferrenquin, junto ao Café dos Portugueses. O homem da máquina de café dizia sempre “olha o lobito” e eu não percebia ao motivo. Mas hoje já o sei.
Foste incondicional, presente, inesquecível, humano. Há dias em que gostava de te ter aqui para conversarmos. Não havia nada a que não soubesses dar um empurrão ou assistência.
Uma das coisas que me dá satisfação é teres conhecido a casa onde hoje vivo. Corria o ano de 1987. Foi óptimo ter aproveitado as viagens que ambos fizemos até à Península para partilhar aqueles dias. A tua presença está, viva, nos álbuns de fotografias, nas memórias… na estrela que brilha no céu e me faz companhia quando venho para o seio da noite.
Às vezes revejo-te a sair pela porta levado em ombros. Não me deixavam aproximar-me. Não te mexias. Não voltaste. Mas, apesar disso, estás comigo. Estás comigo cá dentro e eu tento espalhar o teu exemplo. Tu merece-lo.
E sabes? Decidi que um dia tenho que voltar. Quando fechar a próxima porta quero passar por ai, deixar-te um belo ramo de flores e dar-te um abraço. Não me posso esquecer de ti e de tudo o que fizeste e contribuiste para ser hoje quem sou. Tu ensinaste-me com o teu exemplo contínuo que não somos ninguém sem cooperar, que temos que lutar para ser bons e para que se faça bem.
Uma das coisas que mais deve ter orgulhado a minha mãe foi aquela tarde em tua casa, a tarde do discurso enquanto baloiçávamos no teu cadeirão. Eu estava no teu colo e tu, com um abraço daqueles só nossos, disses-te à minha mãe “…ele é dos bons. Vai ser engenheiro e vai comandar o país. Este rapaz vai ser Presidente da República…”. A minha mãe recorda esse momento com uma ternura enorme. Tu amavas-me. Só te peço desculpa pela presidência pois não vai dar… a questão é que eu não gosto de política. A engenharia, como sabes, já está tratada!
E é pensando em ti que constato que, desde que sejam capazes de plantar chamas nos corações de outras pessoas, as pessoas nunca morrem e são eternas dentro dos corações que iluminaram.

